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Tendência é de que o setor da construção civil continue movimentando a economia que tem como base o agronegócio na região. Para avançar mais, mercado de imóveis tem desafios a vencer e estratégias para superar a pressão dos juros altos e limitações de crédito
Valdevane Rosa
24 de julho de 2026
A região Centro-Oeste foi a que obteve maior crescimento de Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil, de acordo com resultados do estudo da FGV Ibre, elaborado com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economia da região cresceu 3,4% ao ano, entre 2002 e 2023, frente à média nacional de 2,2%.
A agropecuária foi o grande motor deste crescimento. Em 2023, a agropecuária representou 17% do PIB do Centro-Oeste, um crescimento em relação aos 12% registrados 20 anos antes. Dessa forma, segundo o estudo, cerca de 19% do valor adicionado da agropecuária nacional entre 2002 e 2023 foi gerado no Centro-Oeste. Contudo, a economia da região se desconcentrou ao longo do tempo e outros setores como serviços, indústria e comércio estimulam a economia, a geração de empregos e renda, o que impacta diretamente em outros setores como o ramo imobiliário.
O movimento é observado pelo diretor de produção da Toctao Soluções de Engenharia, Guilherme de Lima Rodrigues. Ele lidera a equipe de produção da empresa do tradicional Grupo Mauá, com 30 anos de atuação em todo Brasil, e um portfólio que abrange uma diversidade de obras residenciais e comerciais como shoppings centers e cinemas, centros de ensino, hidrelétricas, obras para o turismo e o esporte, além de várias outras soluções em engenharia. Segundo Rodrigues, o crescimento econômico do Centro-Oeste tem se refletido diretamente no aumento da demanda por empreendimentos imobiliários, obras corporativas, industriais e de infraestrutura. “A expansão da renda, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pelos serviços, gera uma necessidade crescente de moradia, comércio, logística e equipamentos urbanos”, afirma o executivo e engenheiro civil.
Um exemplo claro, segundo ele, é Sinop, no Mato Grosso, onde atualmente a Toctao tem três obras em andamento. “A cidade vem crescendo na ordem de 9 mil habitantes por ano, segundo as estimativas recentes do IBGE. Esse crescimento acelerado tem se refletido no processo de verticalização urbana e na expansão do mercado imobiliário, criando oportunidades relevantes para a engenharia e para a construção civil”, destaca ele.
Contudo, o crescimento da região não está associado apenas ao agro. Goiânia, por exemplo, consolidou-se como um dos principais polos de saúde do país, com hospitais, clínicas e centros de diagnóstico que atendem pacientes de diversas regiões do Brasil. Esse movimento impulsiona não apenas a construção de unidades de saúde, mas também empreendimentos residenciais, hotéis, edifícios corporativos e toda uma cadeia de serviços associada. Da mesma forma, cidades do Mato Grosso vêm apresentando forte expansão impulsionada pelo agronegócio e pela logística, gerando demanda por habitação, centros empresariais e infraestrutura urbana.
Ainda, segundo o diretor, o Centro-Oeste reúne características bastante atrativas para investidores, pois muitas cidades ainda apresentam potencial de valorização superior ao observado em mercados mais maduros. “O investidor busca mercados onde exista crescimento econômico real, geração de empregos, aumento da renda e expansão da demanda por moradia e serviços. E é exatamente isso que observamos em diversas cidades do Centro-Oeste. O desenvolvimento impulsionado pelo agronegócio, pela saúde, pela logística e pelo setor de serviços cria fundamentos sólidos para investimentos de longo prazo”, avalia.
Em sua visão, a região continuará atraindo cada vez mais capital nos próximos anos, especialmente para empreendimentos residenciais, corporativos, logísticos e de uso misto. Contudo, desafios existem e devem ser enfrentados para que o crescimento seja contínuo.
Desafios
Um dos desafios que impactam o cenário do setor da construção é a atual taxa de juros elevada realmente, pois pode dificultar a comercialização dos empreendimentos. De acordo com Guilherme, ela atinge diretamente o comprador que busca sua moradia, aumentando o custo do financiamento, e também influencia o investidor, que muitas vezes encontra alternativas de renda fixa mais atrativas no curto prazo.
Nesse cenário, o setor tem buscado desenvolver produtos cada vez mais aderentes à demanda do mercado, além de trabalhar de forma muito próxima aos clientes para demonstrar os fundamentos de longo prazo do investimento imobiliário. “Costumamos dizer que a decisão de compra não deve estar baseada apenas na taxa de juros do momento, mas principalmente na qualidade do projeto, na localização, no potencial de valorização e na segurança do ativo”.
Conforme avaliação de Guilherme Rodrigues, a mão de obra é hoje o principal gargalo da construção civil. “Observamos um envelhecimento da força de trabalho do setor, sem uma reposição proporcional pelas gerações mais jovens, que frequentemente optam por outras atividades profissionais”. Além disso, enfrentamos uma concorrência crescente com a informalidade, pontua ele.
Diante desse cenário, entendemos que a formação profissional precisa fazer parte da solução. “A Toctao, por exemplo, tem buscado parcerias com instituições como SESI e SENAI para promover a capacitação de novos profissionais. Recentemente, por exemplo, concluímos a formação de 20 eletricistas e 20 encanadores dentro de um de nossos canteiros de obras, aproximando o treinamento da realidade prática do setor”, conta.
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