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Com essa realidade, a capital fica atrás de cidades do interior nas contratações do programa, não conseguindo suprir o déficit habitacional;
Assessoria de imprensa
25 de setemrbo de 2026
Pesquisa da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário em Goiás apontam que as unidades que integram o programa Minha Casa, Minha Vida tiveram crescimento expressivo no primeiro semestre deste ano. As vendas chegaram a 2.944 unidades, crescimento de 83,4% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Mas esse incremento ainda é muito pouco perto da necessidade da população. Mesmo com o aumento de 77,1% no número de unidades lançadas sobre o primeiro semestre de 2025, lançando 2.395 unidades, a demanda reprimida e latente é tão forte que o estoque na capital diminuiu 33,2% em comparação com o fechamento de 2025. Hoje, o estoque de unidades do MCMV representa apenas 17% do mercado total.
“O estoque do programa encolher um terço em seis meses, mesmo com mais lançamentos, é a definição prática de demanda reprimida. Existe fila para esse produto em Goiânia. E ainda há muito espaço para crescer: em mercados maduros, como São Paulo, por exemplo, o Minha Casa, Minha Vida chega a representar cerca de metade das vendas residenciais. Isso demonstra que o limite aqui não é de demanda”, explica o diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista.
A restrição de oferta ocorre principalmente em função da morosidade de aprovação da prefeitura de Goiânia sobre novos empreendimentos. Para o presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, o estoque em queda com demanda aquecida é um sinal de saúde, mas também é um sinal de atenção. “Se a cidade não conseguir repor essa oferta no ritmo em que o consumidor está absorvendo, vamos caminhar para uma quebra de oferta, o que implica em preço mais alto para o consumidor e projetos parados na gaveta. No Minha Casa, Minha Vida, o problema é ainda mais grave, porque ali existe um grande déficit habitacional diante de um recurso federal disponível. Cada mês de atraso no licenciamento é um mês a mais que uma família goiana espera pela aquisição da sua casa própria, com o dinheiro na mão e a autorização parada na prefeitura. A disposição de investir do empresariado existe, o que falta é destravar a aprovação”, enfatiza o presidente.
Felipe Melazzo lembra que em 2026, o programa Minha Casa, Minha Vida operou com um orçamento recorde. “O momento para o programa é muito positivo e isso explica o crescimento em todo o território nacional. Nesse ano, o Governo Federal disponibilizou o maior volume de recursos já destinado à habitação social na história do país, cerca R$180 bilhões”, comenta. As regras do programa preveem que os recursos sejam distribuídos entre as regiões brasileiras. Porém, esses valores devem ser consumidos dentro do ano em questão. “Se uma região não apresenta projetos aptos a contratar esses financiamentos, os recursos não utilizados são remanejados e destinados a outros Estados da Federação. Por isso, é importante termos lançamentos para que a oportunidade e momento favorável não se percam”, complementa Melazzo.
Esse cenário preocupante também é visto no número de unidades financiadas dentro do programa. Segundo dados da Caixa Econômica Federal, as contratações do MCMV em Goiânia somaram 4.017 unidades entre janeiro e agosto de 2026, uma queda de 16,1% sobre o mesmo período de 2025, e a maior retração da série histórica. Isso rendeu à capital goiana o posto de terceiro pior desempenho de contração entre as 27 capitais brasileiras, atrás apenas de Porto Velho e Cuiabá, como destaca Melazzo. A capital recua pelo segundo ano consecutivo desde o pico de 4.967 contratações em 2024.
Olhando apenas para Goiás, a situação de Goiânia também é crítica. No mesmo período, Águas Lindas de Goiás contratou 5.658 unidades e ultrapassou a capital em volume absoluto pela primeira vez na série histórica. Proporcionalmente à população, a distância é ainda maior: Águas Lindas registra 25,1 contratações por mil habitantes, Luziânia 12,9 e Valparaíso de Goiás 12,7, enquanto Goiânia aparece com 2,8, um patamar inferior ao de 2024, quando a capital marcava 3,5.
“Esses números falam por si. Goiânia é a maior cidade goiana, concentra, também, o maior déficit habitacional e, ao mesmo tempo, é a que menos avança em contratação de financiamento habitacional em unidades autorizadas no Minha Casa, Minha Vida. Ser ultrapassada por Águas Lindas e Valparaíso não é uma questão de mercado, afinal nenhuma dessas cidades tem a demanda que a capital tem. Temos teto disponível para quase 2.800 unidades que simplesmente não estão sendo contratadas”, afirma Marcos Túlio Campos, diretor de Habitação de Interesse Social da Ademi-GO.
O gargalo também se materializa no ciclo vigente do MCMV-FAR, faixa que atende a população de menor renda, que compreende o período de maio de 2025 a agosto de 2026. Goiânia teve apenas 224 unidades habitacionais autorizadas no período, atrás de Trindade (624), Aparecida de Goiânia (512), Rio Verde (432) e Jataí (400). O teto da capital no ciclo é de 3.000 unidades, o que indica que 2.776 vagas seguem ociosas. Isso reforça como o problema é local e o mercado afirma contar com administração pública para olhar com atenção para esse segmento para não privar os goianienses de uma moradia digna e provocar um problema social que se torne incontrolável, que são as ocupações irregulares. “A população mais necessitada não espera as políticas públicas, em especial a habitacional. Ela toma a própria iniciativa, ocupando, irregularmente, vazios urbanos, que, mais tarde, se transformam em favelas. Nossa capital é referência nacional na desfavelização, e, é um dever dos poderes legalmente constituídos e da sociedade civil organizada fazer com que esse status não se altere”, reforça Melazzo.
Para o presidente da Ademi-GO, a combinação entre estoque em queda, demanda aquecida e lentidão no licenciamento desenha um risco concreto de desabastecimento, com efeito mais severo justamente sobre a habitação de interesse social. “E é importante deixar claro que esse não é um problema exclusivo do Minha Casa, Minha Vida. A lentidão atinge o mercado como um todo, do comerciante de rua que quer aprovar um prédio para instalar a própria atividade até os grandes empreendimentos. Hoje, temos seis projetos de HIS aguardando a emissão da taxa na prefeitura, um ato administrativo simples, que antecede toda a análise, e até o momento sem resposta. Não estamos pedindo flexibilização de regra nenhuma. Estamos pedindo um processo célere, transparente e previsível. Enquanto o licenciamento trava, trava também o emprego, o investimento, e a cidade deixa de crescer de forma ordenada”, enfatiza Felipe Melazzo.
Esse é um problema que só vem se acentuando desde o início da atual gestão, em 2024. Outras instituições, como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) já fizeram manifestações públicas alertando para essa questão.
Fonte - Assessoria de Imprensa da Ademi-GO
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